A CARTA
Luis Lêdo Motta Mello



No rodapé da carta, um beijo ardente,
Traduzindo, no batom, divina jura
As delícias do amor que se procura,
As volúpias de um desejo permanente.


Abraçado àquela carta, docemente,
Do desejo, do prazer, pela gravura,
Eu beijei o papel com tal ternura
Que a senti, por instantes, em minha frente.


E dos lábios, no elan delicioso
Um murmúrio de afeto venturoso
Eu ouvi quando suguei divino mel.


Saciado pela seiva da distância
O instante envolveu a minha ânsia
Que senti beijando a boca no papel.


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