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Mil desenhos loucos te
tatuam. Mil formas te
formam, deformam e te
fazem ser. Abraço-te e sinto
minhas formas fundirem-se
com as tuas.
Sorvo o instante de nossa
impossível união e retiro-me
com meu corpo marcado,
para sempre, pelo teu.

Se eu pudesse, subiria à mais
alta de tuas ramadas,
escolheria o mais morno dos
teus galhos e lá faria um
ninho para os meus desejos.
Depois, uma a uma, enfileirava as
canções que o vento canta
nas tuas folhas, juntava-lhes os
risos dos pássaros e
deixava-me sonhar apenas por um
segundo. Se eu pudesse ...

Teu corpo, com cheiro de terra,
detém o meu passo. O que
terá feito aquela ramada crescer
tão direita em direção à
nascente e
aquela outra descrever tantas e
tão caprichosas curvas? O que
terá feito o teu tronco tão terno
de tocar e macio de sentar?
Retomo devagar o passo,
mas, um pouco adiante, paro e
olho-te de novo; e o que me
terá detido, me feito te tocar e
... escrever estas coisas?

Teus mapas (maravilhosas
imperfeições), marcados ao
acaso em teu corpo, são
caminhos por onde navegam
as canoas da minha imaginação.
Se uns dias, ao passar
indiferente, não os noto,
não quer dizer que esteja longe
de ti. Quer dizer (terrível
confissão!) que estou longe
de mim mesmo.

Fotos de Sergio Veludo e poesias de Pedro Veludo