Levando uma vida sossegada e sem maiores preocupações, uma lebre e uma perdiz viviam no mesmo campo. Aquela pacata rotina foi, no entanto, interrompida quando chegou àquela terra uma ruidosa matilha.
Tão logo viu os cães, a lebre pôs-se em desabalada carreira, chegando à sua toca e ali se escondendo, pensando ter enganado os inimigos.
Mas, devido à correria, ela estava muito suada, e de seu corpo saía um cheiro ativo, que a denunciou.
Levado pelo faro, um dos cães encontrou-a em sua toca e a matou.
Observando o que acontecia com sua companheira, a perdiz divertia-se muito:
- Não vivias sempre gabando-te da ligeireza de tuas pernas? - perguntava a perdiz - Onde está ela agora, quando se torna mais necessária?
E a ave pôs-se a rir da desgraça da companheira. Suas risadas, porém, atraíram os cães, que passaram a persegui-la. Sem parar de rir, a perdiz alçou vôo, passando a zombar dos perseguidores.
Mas ela se esquecia de que no ar estava sempre vigilante o gavião, seu mortal inimigo. E nas garras do gavião ela encontrou a morte.