Certo dia, Júpiter, deus dos deuses e dos mortais, reuniu em torno de si todos os animais e lhes disse:
- Quero que todos falem francamente. Se alguém entender que há falhas em sua natureza, deve dizê-lo sem rodeios, que tentarei dar um jeito. Primeiro o macaco. Veja suas imperfeições e compare-as com as dos outros animais.
O macaco aproximou-se do trono de Júpiter e disse: - Eu, por mim, não tenho queixas. Tenho quatro pés, como os outros, e minha figura me agrada bastante. O urso, sim, é que não passa de uma caricatura malfeita.
Chegando-se, o urso pôs-se também a falar. E só fez elogios à sua própria figura, passando depois a analisar o elefante, e sugerindo: - Seria bom que lhe cortassem um pedaço de cada orelha, lhe aumentassem o rabo e lhe emagrecessem o corpo desajeitado.
Chamado, o elefante fez a mesma coisa que seus dois antecessores. Em lugar de apontar seus próprios defeitos, destacou-os em outros. Para o elefante, a baleia era corpulenta demais.
Depois, veio a formiga, que apontou a insignificância da pulga.
Júpiter verificou, então, que estavam todos satisfeitos com sua natureza, e despediu-os.