Reinava entre os ratos grande descontentamento. Um certo gato, chamado Micefufe, tornara-se célebre pela implacabilidade com que perseguia seus tradicionais inimigos, os quais já nem se atreviam mais a sair de suas tocas, terrivelmente amedrontados.

Aos ratos não restava outra coisa senão esconder-se e fugir. Era necessário, pois, tomar uma atitude que os salvasse de extinção.

Foi combinada então, entre os ratos, uma assembléia, a realizar-se na primeira oportunidade dada pelo gato.

Esta surgiu quando Micefufe fez um passeio pelos arredores, a fim de visitar mimosa gata. E os ratos se reuniram.

O mais velho dos ratos tomou a palavra e propôs, em caráter de urgência, que se amarrasse um guizo ao pescoço de Micefufe: - Assim - disse ele -, saberemos quando ele se está aproximando, e teremos tempo de fugir.

A assembléia foi unânime na aceitação da proposta do rato decano, louvando-lhe a sabedoria e oportunidade. Havia, apenas, uma dúvida: quem amarraria o guizo no pescoço de Micefufe?

- Comigo é que não contem para tamanha tarefa - disse um dos congressistas, no que foi seguido pelos outros.

Ninguém se atraveria a sequer aproximar-se do medonho inimigo.

E, sem tomarem qualquer outra providência, foi dissolvida a assembléia.



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