Um rato da cidade, muito abastado, convidou certo dia um rato do campo, seu primo, para um jantar de cerimônia.

O mais rico dos primos quis mostrar ao outro toda a sua abastança, e não hesitou em gastar o que fosse necessário para tornar inesquecìvel aquele jantar. Os pratos, da mais fina louça, foram servidos sobre tapetes da Turquia, bordados com cores maravilhosas; os talheres eram de prata e ouro, e o cristal dos copos refletia a luz dos candelabros em todas as cores. Estava tudo perfeito, as iguarias deliciosas, quando os dois comensais ouviram ruídos à porta.

O rato da cidade pôs-se logo a correr, no que foi acompanhado por seu primo, completamente aturdido.

Cessado o ruído, voltaram os dois ratos à mesa.

- Continuemos - disse o rato da cidade, quando, passado o suto, pôde falar.

- Para mim, basta! - respondeu o rato do campo. - Faça bom proveito de seus banquetes. Apesar de todo esse luxo e de sua riqueza, não o invejo. Quando quiser, vá à minha casa, onde não há qualquer ostentação e a comida é pobre, mas onde guardo um grande tesouro: lá come-se e vive-se em liberdade.