Chama do meu Amor

Não sabes que ao ver-te triste,
e pensativa a meu lado,
o rosto na mão firmado,
e os olhos postos no chão,
calada, ansiosa, anelante,
quero ler no teu semblante
a causa da dor constante
que te oprime o coração?



Pois não basta o meu amor
para te dar a ventura?
Responde: quando a luz pura
do sol vem beijar a flor,
não lhe acende mais a cor?
Não lhe dá mais formosura?



Agora, quando se inflama
em teu peito aquela chama,
à qual tudo se ilumina
de viva, encantada luz.
Diz: é quando, minha vida,
Pálida, triste, abatida,
a tua fonte se inclina,
e melancólica sombra
de mal contida amargura
nos teus olhos se traduz?



Certeza de que és amada
com quanto poder na terra
em meu peito de homem se encerra,
tem-la em tua alma gravada!
Então de fundo desgosto
porque vem nuvem pesada
carregar teu belo rosto?



Pois se ao vívido calor
do Sol a rosa fulgura
e redobra aroma e cor,
não te há-de dar a ventura
a chama do meu Amor?

©2003 Luis Filipe Esteves
Poema registrado na SPA
Dedicado à luz da minha vida





Com autorização do Autor