Não
sabes que ao ver-te triste, e pensativa a meu lado, o rosto na mão
firmado, e os olhos postos no chão, calada, ansiosa,
anelante, quero ler no teu semblante a causa da dor constante que
te oprime o coração?
Pois não basta o meu amor para te dar a
ventura? Responde: quando a luz pura do sol vem beijar a
flor, não lhe acende mais a cor? Não lhe dá mais
formosura?
Agora, quando se inflama em teu peito aquela
chama, à qual tudo se ilumina de viva, encantada luz. Diz: é
quando, minha vida, Pálida, triste, abatida, a tua fonte se
inclina, e melancólica sombra de mal contida amargura nos teus
olhos se traduz?
Certeza de que és amada com quanto poder na
terra em meu peito de homem se encerra, tem-la em tua alma
gravada! Então de fundo desgosto porque vem nuvem pesada carregar
teu belo rosto?
Pois se ao vívido calor do Sol a rosa fulgura e
redobra aroma e cor, não te há-de dar a ventura a chama do meu
Amor?