Com irritante monotonia
A chuva cai lá fora
Cobrindo tudo com triste melancolia
Aproximo-me da vidraça molhada
E me distraio com os pingos nela a escorrer
Não vejo viva alma em busca de abrigo
Até os pássaros do céu desapareceram
Nenhum cão a ladrar pelos quintais
Tampouco gato vadio pelos cantos a se esgueirar
Nenhum movimento de qualquer ser vivo
Somente o balançar de encharcados galhos arcados
Mal suportando o peso da água a cair!
Então, me dou conta de que estou sozinho no mundo...
(o barulho da chuva soa tão lúgubre!)
Percebo o reflexo do meu rosto no vidro embaçado
E num instante de tristeza profunda
Vejo as gotas d’água escorrendo devagar
Mas não são as da teimosa chuva que o Céu derrama
São lágrimas que os meus olhos vertem
De tanta saudade de você!