C.Sair



HORA SELVAGEM



Não fosse o calor
abrasador
sobre meu corpo estirado,
quase morto, largado...
talvez nem percebesse
esse algo se arrastando
sobre mim,
vagarosamente,
quase em slow...
essas batidas compassadas,
surdas, graves, comprimidas,
um baixo, um violão, ou batidas de coração?
Apuro... nenhuma respiração.
É a hora selvagem, silêncio ensurdecedor,
sóis e luas, estrelas e buracos negros, nuvens de éter
invadem a mata,
a floresta enlouquece
e esquece.
Os instintos saciados nem me notam, seus corpos quentes deslizam sobre mim, se espojam, adormecem...
Amanhã é outro dia, agora, é sonhar,
ser o não-ser,
viajar infinitas´possibilidades, leopardos viram leões, elefantes viram anões, cogumelo vira xamã.
Bons sonhos, até amanhã.











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