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Kirmá Gonçalves Mota
AMADO SEGREDO
Às vezes me pergunto porque te amei.
Se foi uma loucura que invadiu meu coração.
Esquecer-te sei que não conseguirei,
pois lembro dos teus olhos negros a me perseguir.
Ouço músicas que me lembram o frêmito
que me percorria quando te via,
no outro lado da rua a me fitar, calado, sem um gesto.
Teu nome eu não sabia e um anjo me assoprou...
e era aquele que em sonhos eu chamava
numa certeza que só os que amam têm.
Amo compaixão o homem que escolhi,
mas tu és o sonho, o impossível, o inatingível.
Um sopro de brisa, que não posso ter,
que passa, sem saber o que me acontece,
quando te vejo, perto ou longe, seja onde for.
Certa vez, me disseste "oi" e mal pude responder,
meu coração queria gritar: "oi, meu amor",
mas a razão me calou como até hoje estou.
Uma história para viver, nunca teremos,
meu sentimento continuará calado.
E apesar dos anos que já se passaram
penso em ti como alguém presente,
por quem tanto me apaixonei.
Nem sei se sabes o quanto me tocaste,
provavelmente nada signifiquei para ti,
mas cada vez que meus olhos te encontraram
meu coração fremiu, minha voz falhou
e eu tremi sem ter sido tocada.
Nunca me deixe, fique dentro de mim,
como uma parte do meu ser que ninguém conhece,
para que eu pense em ti com uma saudade
que ficará em meus olhos
e nos meus lábios sem dizer-te adeus.
 
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