Elisio Bezerra



ASSÉDIO


(Agradável insistência, lamentável penitência)
De um olhar penetrante
Sobre alguém em certo ponto
E daquele ponto outros olhos vêm ao encontro.
Vê-se logo da oportuna chance
Rolar um papo sobre uma conjuntura:
Sussurrar-lhe aos ouvidos seus pretensos desejos;
Telefonar-lhe com malicioso sigilo;
Mandar-lhe bilhetes com caligrafia perfumada;
Remeter-lhe um obsceno E-mail na sua caixa eletrônica;
Falar da cama de um requintado motel...
Da casa então desfeita em enorme babel...
Do escuro belicoso de um cinema furtivo...
No assento do automóvel noite adentro...
No banco da praça escura e silente...
Em pé no muro, na grama, na relva.
Tudo é razão para se sugerir
Àqueles olhos que lhe fitam
De um encontro a dois e a sós.
Massageie o ego desses olhinhos...
Bombons, souvenires, bijuterias
Quaisquer mimos para agradá-los faça.
Mas antes deixe-a molhada;
Deixe-o bastante lubrificado.
A penetração não pode causar dor;
Deve haver total prazer e sedução.
Mande que ela lhe chupe com amor lúbrico;
Determine-lhe que o clitóris seja delambido;
Abra-lhas pernas delicadamente
E crave-lhe o duro pênis com suavidez
Na vulva douda, suada, gemente... e macia.
Não goze tão logo penetre... permaneça rijo
Nem o esbofeteie sem que ele o suplique...
Empurre, soque manso...alisem-se...
Faça festas com os bicos dos peitos dela;
Mordisque-lhas delicadas orelhinhas;
Lamba-lhe o orifício do umbigo...
Coloque-a de bruços e morda-lhe a nuca;
Faça-o gemer de êxtase e tesão;
Acaricie seu estriado e palpitante ânus!
É ISSO; seus olhos ditam desejos
A outros atentos olhos n’outro ponto...
Se der certo, parabéns
Se não: ASSÉDIO DÁ CADEIA!












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