Elisio Bezerra



A ENXADA E O INFERNO DA PEDRA


Homem trabalhando na rua
Barulho de enxada roendo a estrada.
A enxada grita nervosa, raivosa
C’o lavrador a esfregá-la, e revela
Grito lancinante e sinistro
O da enxada no eito, meu Cristo!
Ruído de lima roendo a enxada
Mas ela não fica calada & recanta
Grita rabiosa – agitada - indecente
Ao sol que cresta o couro do homem
Que se dissolve em escaldante suor
Esfregando, ralando, alisando, passando
A enxada amolada no férvido chão.
Fagulha, faísca, centelha chispando
No gume da lâmina malhada
Rolando no magma de tártaro
Cortando as ervas daninhas
Refregando-se com o duro solo
Debuxando as eivas dos blocos...
E o cabo da enxada crestando
Nas mãos calosas, rachadas, torsas
Dolorosamente pulsantes!
E o infeliz dobra o olho do instrumento
Num ponto que retine grito desesperado
Para tê-la em sua levez
É o homem no cabo zangado
Querendo que o ferro de maldito berro
Se queime no ardente fogo do inferno!












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