Não é de prata, nem de ouro
É amada obra nacarada.
Há muito tem encantado
Levas enormes de enamorados.
Ei-la singrando os céus;
No plenilunio, então puta e bela
Às vezes obumbrada por nuvens
Enciumadas que parecem dizer:
- A lua que se dilua
No espelho da lagoa!
Trêmula figura
Fria, pálida criatura
Esquálida marmoraria
Sempre despida
Sempre despojada
Será que a lua
Vive assim toda nua?
No frio do inverno – nua
No calor do verão – nua
Nas outras estações
As paixões se arrefecem... somem.
A lua também às vezes vai-se...
Quase alumiando a rua não aparece
Para os ébrios, boêmios, apaixonados...
Ninguém a vê por onde anda;
Ou é noite enluarada
Ou é treva fechada.
Sabemos que ela está lá
Indubitavelmente pelada.
Pobres e ingênuas namoradas
Feliz é a indiferente lua
Todos cantam-na
Em verso e prosa
Apaixonados...
Será que é porque ela
Sempre anda rua afora nua?