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Eduardo de Campos
MULHER MOÇA
Será você a mulher, moça,
Que me encanta e depois me espanta
E cujos olhos me inundaram
O espírito e a alma
E em seu resplendor me banharam
De tanto calor, paz e calma,
Bálsamo frondoso da palma?
Será você a linda moça
Que me faz prever o futuro
E colher o fruto mais puro
Da arte e da criação,
Que me traz tanta inspiração
E faz de mim tão inseguro?
Será você, moça e mulher,
Que me põe o sangue ardente
E que me desperta na mente
Visões cósmicas do espaço,
Inverso de meu signo astral
E cura de todo meu mal?
Será você a mulher, moça?
Não sei, mas queria saber.
Será você essa tal moça
Que me faz planar levemente
No ar suspenso à luz poente
Para singrar outras galáxias,
Companheira leal de audácias
E inimiga de falácias?
Será você, mulher tão moça,
Que me faz procurar cometas,
Aventureira borboleta,
Flor mensageira da beleza,
Mãe, mulher, amante e princesa,
Deusa, rainha e ninfeta?
Ou será só uma ilusão,
Ser errante, fada infante,
Que me permeia a emoção?
Será então assombração
Que me arrebata num abraço
E faz-me perder o compasso?
Ou será loucura e embaraço,
Mulher que me invade o universo
E se me assoma pelo paço,
Me subverte todo o verso,
Faz-me viver pelo reverso
A desejar o seu regaço?
Será você a mulher, moça?
Não sei, mas se fosse, diria:
Queria você como guia,
Vênus, astro que me conduz
Até a fraterna energia
Eterna de sons e de luz
Que nos expõe a ambos nus,
Pois ao amor fazemos jus.

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