Antônio Norte Filho



Cais


Cais é o meu olhar vazio
Que está tão perto do rio
De lágrimas que eu não chorei,
Do grito que sufoquei.

Meu coração é uma velha ferrovia,
Desabitada e fria
Com tantos trilhos para algum lugar,
Sem saber aonde chegar.

Meu ser que é parte dessa vida
De encontros e despedidas,
Está à deriva para lá do cais,
Da ferrovia, longe demais.











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