Por que choras Anjo pálido?
Por que te desmanchas em dor
Em tua pedra esculpida...
Doce face gélida?
Não sofras, mármore branco,
Tão indefeso pelo tempo...Pelo triste tempo frio
Que te corta e te mostra
Tuas formas modeladas por mãos firmes
Teu corpo frio visto por olhos vibrantes
Cintilantes.
Quem és tu, dama misteriosa
Quem em amargura petrificada
Expõe seu semblante a todos
E todos apaixonam-se por ti
Sem que digas uma única palavra?
Carrara querida, moça imóvel
Desnuda por teu criador
Em tuas formas amplas, abundantes.
Virgem Maria, como que tu choras
Se lágrima alguma transcorre teu rosto?
E do filho em teus braços, as feridas não sangram
E nem curam...
E tu, mulher perpétua
Em que pensas com teus olhos belos?
Por quem suspiras sem respirar?
Por quem bate teu coração de bronze?
Consola-te dama triste
Não te prendas ao próprio coração
Nem te debruce sobre tua própria cruz.
Mostre tua beleza e tua serenidade
Para que todos vejam e a vislumbrem
Por toda a eternidade pura e intacta.