Virgilio Lilli



VERTENDO LAGRIMAS


Noite escura, gélida e tenebrosa
Eu em minha alcova, triste, sombria
Chorando na madrugada espantosa
Sinto tremor; minha pele arrepia.

Olhos marejados, vertendo lágrimas;
Coração sangra no peito apertado.
Soluços doridos em borbotões
Sacodem meu corpo pobre alanhado.

Narinas obstruídas e aquosas
Molham o lenço de muco inundante.
Respiração trabalhosa e ofegante,
Pensamentos incertos, flutuantes.

Meu quarto, as paredes retêm lembranças;
Saudades me invadem todo instante!
Lembranças amargas alucinantes,
Memórias felizes gratificantes.

Em minha cama vazia estou mudo
Sem ninguém. Tenho só Deus a me ouvir,
Sem dizer nada ou me dizendo tudo
Que eu não consigo entender, intuir.

Que queres mais Tu de mim meu Senhor?
Levar-me à glória ou levar-me à loucura?
A prostração de minh'alma não chega?
Estou farto de sofrer tanta tortura !

Maria, oh mãe, meu vinho acabou!
Que fazer agora da minha vida?
Interceda por mim doce Senhora!
Ajude-me a encontrar uma saída.











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