Marcello ShytaraLira



MULHER IDEALIZADA


Sigo as nuvens e o tempo
Tão rápido e cruel envelhece-me
Ela meu passaporte para o Olimpo
Vê-me mas não se mostra a mim
Contento-me a olhar em meu plano
Por ser um reto e maculo angustia-me
Todas passam não as noto
Ela apenas Ela uma vez esteve
Minhas lentes fotografaram-na
Mas meu coração não deu o sinal
Então Ela se foi... se foi...
Não no espaço geográfico
Mas na minha necessidade de Tê-la

Oh! Oh!Oh!Oh! Oh!

Como poderei ser feliz
Pois ressuscitei para viver esta a dois?
Sozinho neste mundo tão vasto e nada casto
Com suas castas superiores a envenenarem (me) o ar
Asfixia... já não sou sapiens sapiens
E os vocábulos cujos cunhos vernáculos
Nada significam Nada significante
E as doutrinas eclesiásticas aglomeradas no mesmo Objetivo
Subjugando-me Fabricando-me servo
Para alcançar a divindade e ter eterna vida
Mas de que me adianta eterna vida como escravo?
Escravo... e não dela...
E as Sofias? Fazendo-me marionete de seus desejos
Num dado momento sou espiritualista... transcendo meu corpo
Outra hora sou existencialista... consumista dos prazeres corpóreos
Ora sou positivista... Encarno Augusto Comte
Ora sou Thomas More... Luto pelo bem Comum
Então descubro sou otário e torno-me Capitalista
Faço lobotomia do esquerdo
E o direito especializa-se em controladoria

Oh! oh! oh! oh! oh! oh! oh!

Ainda assim não sou feliz...
Uma de minhas partes está vazia
A feminina que me trará equilíbrio
Então volto a peregrinar
Pelas sendas plúmbeas de um mundo mórbido
Buscando a mulher idealizada em versos
Por tantos poetas fossilizados em meu coração asceta











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