Marcello ShytaraLira



NUM CORPO SÓ...


Ando cabisbaixo...
Uma metafísica retada nas bordas
A dor, a falta de um amplexo
Uma química pervertida invadindo minha pele
Estou aqui, hora outra, lá pra cá baixo
Vejo grãos infinitos, meus pés, a orla
Num raio dissimulado, nada convexo
Retorna a dor, nada vejo... E ela
Minha'lma translúcida, litúrgica cai em treva
Obscuridade de céus ímpios
Me desloco como louco na sensatez do ruir
Meu grande músculo se ilumina no vício
Mas dela vem apenas o destruir...
Camões chorou sua chinesa
"Um contentamento descontente"
É mais que isso, é um...
Descontentamento descontente
É um sorriso náufrago...
Um perdão cúbico sem perdão
Vários sonhos numa mesma intersecção...
É água da água dissolvida em sal...
É dor da dor de saber que a dor é só dor
"Cruelza" da beleza a espelhar em minhas meninas
Tortura da alma materializada no corpo dela
O tchau de sua mão
Lamina serpenteando meu coração...
Esvaindo meu num corpo só.

Numa dessas nostálgias sem precedentes...












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