Flávio Croffi de Camargo



Arrependimento



Quando pisei nos ladrilhos da entrada do prédio, estavam frios. Subi as escadarias como se estivesse portando ferros em minhas pernas e braços.

A cada passo, um pensamento, a cada movimento, um arrependimento. O que fiz de errado, em que me tornei ou em que poderia me tornar.

Quando cheguei ao topo do prédio, o tempo estava gelado, sentia o chão como se fagulhas de gelo estivessem cortando meus pés. O céu não apenas estava coberto de nuvens mas também coberto de escuridão e pesar. Assim como a minha insignificante mente. Insignificante porque não possuo capacidade de entender certas coisas, certas ações.

Caminhei em linha reta, sentindo as pedras dilacerarem os meus pés com o frio. Já não estava mais preocupado com meus pés nem com nada, apenas o que sou ou fui. Foi quando atingi a beirada do alto do prédio. Avistei bem abaixo pequeninas pessoas por lá passando; sim, pequeninas pessoas, assim como eu, apenas uma pessoa.Minha vida já não era como antes, nem as pessoas que eu amava eram como antes. Tudo mudou, tudo despencou e tudo me desmoralizou .

Aquele sorriso que eu carregava se perdeu nas sombras dessa noite de inferno gelado. Aqueles infelizes momentos se derramaram junto com a chuva e aquela pessoa que eu amava, foi embora como a lua nessa noite, por detrás das pesadas nuvens.

Logo sinto o vento cortar minha cara, as pequenas pessoas se tornando maiores e cada vez ficando mais perto e perto...; pensando bem ,essas pessoas podem estar aí para me ajudar, essas pessoas são grandes pessoas e não pequenas como as enxergava.Mas agora não me resta nada, só quem eu fui, quem eu sou...e meu último e eterno arrependimento.











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