Schirley Jancek Schön



O DESPONTAR DA ARTE



Sobre um cavalo de crina branca e
esvoaçante embalado por seu trote,
aflora-me à pele o amor à natureza que me cerca.
Tantas e tão belas são as flores, desde
as azuis até as amarelas.
A grama verde e fresca, ainda molhada
pelo orvalho, brilha, quando o sol desponta,
como se ela fosse coberta por diamantes.
Galhos de árvores se entrelaçam,
verdes, amarelos, e entre eles, avisto
o azul profundo do céu.
A água que cai da cachoeira, parece
orquestrada pelo vôo dos pássaros e borboletas,
e vai fazendo um riacho que percorre um longo caminho.
Solto meu cavalo, que livre de cela e cabresto,
corre orgulhoso de sí.
Eu, sábiamente, vou para onde ele corre e
encontro o verde da imensidão do mar,
onde vejo ondas lambendo rochas e
barcos de velas içadas, levados pelo vento.
A tarde cai, sinto sob meus pés o calor da areia,
e assisto ao espetáculo do crepúsculo, deixando
o céu num vermelho intenso.
Parece que tudo à minha volta é,
ao mesmo tempo, concreto e abstrato.
Só fica a certeza de Deus
existir em tudo ...
- Já é muito tarde! Avisa a lua...
então guardo meu pincel, para amanhã
continuar seguindo meu cavalo...
que certamente me levará
a novos lugares de exuberante beleza'

13 DE MARÇO DE 2003.











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