James Rafael C. Medeiros



SAUDADES


Pergunto aos pássaros da noite, com os olhos esticados nas estrelas,
Se as águas noturnas sabem quem é que mais me afoga, se são as ondas de
sangue ou se é a tinta que escorre dos meus olhos.
A miséria derrama o coração, que as veias jorram lágrimas, tingem oceanos e
deságuam na existência infinita. Talvez, como se a cicatriz não marcasse ou
uma música distante do fundo das galáxias estivesse chegando.
Não é essa a solidão que importa,
Esse deixar à toa, poema viajando à estação passageira das horas.
Vou sempre a lugar nenhum.
Chego às estrelas sem sair de mim.











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