Ama-me e dê-me um beijo que dure a vida inteira.
Ama-me e faça-me esquecer que a vida é vil e sorrateira.
Ama-me e ensine-me um novo azul no céu.
Ama-me sem romper e destruir meu roto véu.
Em um único e longo sorvo beberia toda a água de tuas fontes.
Em um delírio fremente, comería todo o verde de teus montes.
Me aconchegaria em teus braços como em meu próprio divã..
Queimaria de desejo como em uma febre terçã.
Convivendo iatrogenicamente com a loucura;
Destilando cada segundo de minha própria amargura.
O vento já devorou até minha última ferradura.
Hoje carrego o molho de chaves de minha própria fechadura.
E quem já não bebeu do fel?
Iludido na pureza e transparência do mel!
Floresta negra que invade e domina
Roubaram e violentaram todos os meus sonhos de menina.