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CARLOS FELIPE BRUNO
PLACENTA
Meu êxtase,
O meu êxtase te provoca, te incita...
Molha-te e te faz engolir teu suor
E te enxergas mulher, sedenta do afã...
Percorres teu terno corpo e geme e urras
E te calas num segundo tenso e frágil
Olhas-me com teu olhar de fera
E me sentes homem, fruto de tua carne...
Minhas mãos afagam tua tênue face
E te provocam o alívio de teu suspiro
Então mordes tua boca e te entregas
Apagas-te ao mundo e me acendes, chama de tua luz...
Percebo teus poros no intenso calor de teu ser
E meus lábios ousam aos teus se unirem
E nos perdemos no tempo e no infinito
E fugimos tornando-nos uma só vida
Rolamos no espaço planejado e provocado
E o tesão nos leva ao momento inimaginável
E enquanto sôfrego tento a ti invadir...
Muros e barreiras lentamente caem e somem
Trememos e nossos membros se esticam
Buscando encontrar o tempo esquecido
Contraindo a vertente louca do prazer
Misturado à dor rouca de a ti jamais querer perder
Rosnamos, como dois animais, palavras sem sentido...
E nos arranhamos fazendo jorrar o sangue do amor
Atingindo, sem perdão, o clímax do desejo...
Singelo sinônimo de nossos corações enternecidos
Nos fitamos chorosos de alegria
E reconhecemos a magnitude de nossas ações
Eu te amparo em meus braços, extensão de teu abraço...
E tu te suplicas no carinho leve e doce de meu toque
Teu cálido silêncio me faz renascer
E crer que nada pode insistir em resistir
Ao fogo que toma conta de nossa solicitude
Queimando o que antes era nada e que agora tudo representa
Hoje, como nunca dantes havia sequer percebido...
Permiti-me a ti me deixar levar
Entregando-te com singeleza, suavidade e amor...
Meu cordão umbilical, ferramenta de tua placenta...

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