JASMIM MOREIRA NEVES



O renascer do sol




Sem perspectiva, sem fantasia
Assim encontrava-se essa pobre essência
A buscar um sol que não mais existia
Vaga, oblíqua, a viver na ausência

Um riso sem alma, a dissimular a amargura
expressão fria, apática, sem fulgor
a denunciar toda e qualquer desventura
seja ela no imo, no ser, no amor...

O brado que me segue, a gemer, proferia:
Oh gelo, dissolva-se, ainda há chama,
O mundo é intenso para quem ama
Dou-te uma dica, sonhe fantasia!

Sonhar fantasia - mas como o faria?
A viver cercada de loucura do "si"
Então entre miragens e delírios a vi
A passagem, a luz, o dissipar da agonia

Assim quando refletiu-se a saída
Me vi a erguer uma nova vida
Um campo onde a luz sempre viria
Um mar sem ondas, uma calmaria

Ao abrir o coração para a beleza
o crepúsculo tomou seu rumo, partiu
Pude então enxergar com clareza
O seu ser ao longe a me aclarar

O acaso se incumbiu de nos juntar
lucidez com delírio vieram a se unir
formando da razão e paixão o amar...

De tal modo, o sol encontrei
Ou eu mesma o fiz, não sei
O que vale é que ele renasceu
E mais uma vez o amor venceu.











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