MÁRCIO COSME



Miséria Humana


Era manhã,
E o meu coração, mais uma vez,
Viu-se tomado pela emoção:
Cruzou o meu caminho o melhor amigo
(dizem sobre os cães)
Simpático cãozinho... alegre... caminhava célere...
Atravessava uma avenida de grande movimento...
Trazia entre os dentes... um saco plástico...
Resgatado pelo faro no lixo do amigo
("dizem" os cães sobre os homens)
Onde buscava encontrar o seu sustento...
E, encabulado, coloco-me a pensar...
Quantos iguais ao próprio homem...
(pelos homens tratados com frieza)
Selecionados ao acaso ...
Pelos políticos... pelo capital...
Pela política, pelo lucro marginal...
São abandonados à pobreza...
Vivem a buscar, entre rejeitos,
O pão para entreter a fome...
Num mundo de seres tão perfeitos?
Envergonhado... sim, envergonhado...
Por sentir apenas... nada fazer...
Decidi, com as mãos, registrar meu desconforto...
(de ver desigualdade arrebatar a vida ...)
Gritar ao mundo (ainda que tão pouco...)
O meu desejo de um mundo igual...
Matamos, sim, lentamente, a esperança...
E a vida, não só pelo gatilho que apertamos...
Também pelos discursos vãos... vazios de sentido...
Por omissão... por atos e egoísmo...
E por mentir quando dizemos que amamos!!!











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