Jocélia Costa



Brilho de prata


Sem você para dizer o quanto é belo o crepúsculo,
O sol que se põe é apenas bola de fogo.
E não tira o frio que arde em meio peito
E que agora é meu refúgio.

Enquanto o horizonte se tinge de vermelho
E depois é recoberto pelo manto da noite,
Não movo um músculo sequer
E os risos de outrora agora são distantes.

E logo a lua, branca em sua nudez
E sedutora em seu brilho fugidio,
Se instala sobre as montanhas distantes
Como um disco de prata, mas tão fria quanto eu.

E frios, eu e a lua fazemos companhia ao negror da noite
E somos apenas um, enquanto o mundo dorme.
E esperamos novamente pelo vermelho
Que no horizonte anunciará a chegada do sol.

E novamente ficarei a esperar que novamente o sol se ponha
E que a lua, pródiga em sua nudez prateada,
De novo me faça sonhar e esquecer
Ao menos por momentos, o quanto te amo.











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