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Jane de Oliveira Luzes
FELICIDADE...
Tão almejada, e por poucos alcançada...
Tantos falam e escrevem sobre ela,
Mas... O que é a felicidade?
Para uns, uma sucessão
de desejos atingidos:
Uma casa na praia,
Um carro novo,
Passar no vestibular,
Se Graduar,
Ter uma posição financeira confortável,
Ser aceito pela sociedade,
Casar,
Ter filhos,
Amar,
Ser amado...
Será a felicidade, alguma dessas opções?
Será possível deixar a cargo do tempo ou de outrem tal felicidade?
Para uns, ser feliz é acordar de manhã e ir dormir à noite,
e entre essas duas coisas, só fazer o que se gosta...
Mas, não creio que seja tangível a felicidade...
Penso que ser feliz,
é saber dar risada de sí próprio...
É não ver os defeitos no outro e sim suas virtudes...
ou talvez até vê-los, mas, passar por cima disso, não dar importância...
É amar sem se preocupar em ser amado;
É uma entrega sem garantias;
Não se pode exigir retorno no amor.
Já dizia o poeta:
“[...] o amor é dado de graça, semeado no vento [...]”
É doar-se por inteiro e sem medo, pois não há nada mais a dar,
a não ser, o que somos em essência...
e não há idade para isso...
pode-se ter dez, quarenta ou oitenta anos...
Penso que ser feliz,
é ouvir de manhãzinha o doce som dos pássaros
que em meio as buzinas, carros de som e todo barulho do progresso,
insistem em tornar nosso dia mais bonito...
É se deparar com o sol de manhã,
e perceber seu encanto;
Todo dia ele dá um espetáculo,
mas a maioria das pessoas não se dá conta disso...
É sentir a influência da lua em nossas ações,
Notar como isso nos torna frágeis,
à procura de um carinho, de um abrigo...
É gostar do cheiro de terra molhada de chuva,
sentir na pele o toque de suas gotas,
e achar graça nisso, mesmo que se gripe depois...
É ver com os olhos do coração que o mundo ainda tem jeito,
que ainda existem pessoas dignas; dispostas a dar sem esperar troco...
Que se pode trilhar um caminho juntos em busca da felicidade...
Mas não numa relação de dependência
e sim de complementação, cumplicidade...
É ver que ainda se pode pôr um filho no mundo,
sabendo que ele será digno
sem se corromper pelos desvios da atualidade...
É brincar com um bichinho,
Perceber a pureza das flores,
Se encantar com a beleza das cores
dessa linda aquarela chamada vida...
E sair por aí
espalhando um pouco desse bem-estar e alegria para todos que nos cercam,
tornando o clima mais ameno e propício para amar...
Cada vez mais,
Cada dia mais,
Cada minuto mais...
Amar a sí próprio,
Amar o que se faz,
Amar a alguém...
Bem...se estou certa? Boa pergunta...
Existe uma verdade absoluta acerca da felicidade?
Ou sobre qualquer coisa que seja?
Não é a vida uma eterna dialética?
Uma busca incessante...eterna...infinita..
Aracaju – 28/03/2005
 
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