Orlando Vaz Carneiro



CARÊNCIA


Sábado à tarde
Todo sábado à tarde
Sempre sábado à tarde
Você vem me visitar

Você chega
e aos poucos
vai me espulsando de mim

Ligo a televisão
não tem nada interessante
Pego um jornal
não consigo me concentrar
Tomo um gole de café
não é café o que eu quero

A minha televisão
o meu jornal
o meu café
são apenas muletas
para o meu coração
cujas pernas
um dia você levou de mim











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