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Belina dos Santos Meira



LIBELO DA CRIANÇA ARMADA


Trajado de soldado, com quepe e com bota me apertando nos dedos, pensei que ia brincar, em mil folguedos. Assim como nos filmes de bandidos estrangeiros. E pensei mais ainda... Na certa era um ensaio igual à festa da escola, em maio, onde colegas, pais e professores estariam presentes e felizes, como abelhas nas flores. Mas, para surpresa minha, de repente, me deram um fuzil para treinar num alvo, palmo a palmo. E, com força viril, aprender a lutar, a combater, num campo de batalha, sem mesmo compreender. Gritavam ordenando: _ atira, vá, metralha, coragem, atenção, em frente, sempre em frente. Adentra serra acima, rasteja pelo chão como rasteja a cobra, completa a tua obra... E era tão real a cena nesta arte, que eu tremendo escutava a explosão, e via clarear por toda a parte tonto e perdido nesta confusão. Tentei compreender mais uma vez... E tive uma surpresa dolorosa e fria, que se repete hoje a cada dia, num campo de inferno e sofrimento. A guerra, a mal fadada guerra que assola toda a Terra. Eu tive que entender, que me envolveram em trágicas histórias, que não são os meus sonhos de infância. Nem me deixam ao menos ser criança e ter o meu futuro de esperança. Estou na guerra como um rejeitado, à espreita do indômito inimigo, sem saber como foi que o "conquistei". Nunca vi sua face nem seu ódio, nem toquei seu brinquedo preferido. Sei apenas que sou seu inimigo, e que um de nós vai desaparecer. Por fim, na certa, o que atirar primeiro, terá medalha augusta de guerreiro. Por que me submetem a esta tristeza? e tornam a minh'alma desgraçada? Nem mesmo prá chorar eu tenho o pranto, nem mesmo pra sofrer existe tempo. É tempo de morrer no mundo agora, embora sem querer. Eu sinto que por fim já chega a hora. Quando a fumaça for crescendo em massa, e enormes cogumelos se elevarem, em direção ao sol no firmamento, é mais do que o momento decisivo. A humanidade irá se consumindo, e o mundo todo enfim se destruindo por homens que parecem de papel. Fantoches do seu ego miserável, a quem Deus creditou por confiança, dando a luz, o saber e a ciência, dando o bem, a ventura e a inteligência. Mas o homem infeliz, este animal pensante, inútil inutilmente, transformará o seu destino infausto, na última hecatombe, no último holocausto.











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