Madu Carvalho



O (não) eu suprimido


De repente a vida "muda"(?)
E numa transformação surda
Impele-me a seguir sempre
Comigo presente ou ausente

E me imputa um outro eu
Substituindo um (não) eu
Com o qual aprendi a viver
E com ou sem vida, conviver

Transbordando uma realidade
Sem condolência, nua
Com uma pá de fatalidade
Sem condescendência, crua

E esse outro atual eu a ser vivido
Parte-me em pedaços, fragmentos
Em que já não consigo discernir
Um ou qualquer outro sentimento

O eu calado, sombrio e assustado
Querendo talvez ser o outro (não) eu
Que por tanto ter sido vivenciado
Tornou-se talvez o eu acatado

E esse avesso do (não) eu
(Des)organizado na confusão
Revela-se impávido, forte
A mercê de própria sorte

Então essa (in)existência de (não) "eu"
Acabou por se tornar, quem sabe assim
O tal atual eu presente a ser vivido
Por pura imposição... suprimido

Já não luto pra me convencer
Qual eu me transgride ou importa
Se de nada, nem dele tenho controle
E o dia a dia me comporta

Assim - diante do tudo ou nada -
Em que se transformou essa vida
Invade-me uma insana saudade
Do outro (não) eu em sem saída...











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