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BENÊ LIMA
Arremedo de Poeta
Minha poesia é arremedo,
lugar comum, banalização e outros que tais.
Caricata como é,
o que menos a desagrava
é não se deixar esquadrinhar pelo racionalismo
- verdadeira antítese poética.
Sem tom, sem versos,
e entregue ao desalinho de versos e anversos desconexos,
segue, a transmutar-me,
do patético ao poético,
do maléfico ao benfazejo,
da indiferença ao mais ardente desejo.
Prosa: visão de vida!
Poesia: cosmovisão!
Uma e outra, visão excludente;
combinadas, transcendente visão.
Queria que minha poesia
tivesse a visão libertária dos poetas íntegros,
para que eu pudesse deles alçar o mesmo vôo,
e partir em debandada pelos ares do mundo.
Ao aterrissar: a prosa!
Ao decolar: a poesia!
Dualismo indispensável,
completude, macrovisão.
Minha poesia é arremedo,
minha prosa também.
Mas, o meu amor infinito em poesia,
e minha poesia infinita em seu amor!

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