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Flávio A. N. Sakoda
EU ODEIO O TANGER DOLENTE DOS SINOS DAS SEIS
Ah! quem me dera que o sentimento
que ao tanger dolente do sino das seis
me aflue selvagem e potente
me envolvesse sim,
mas me envolvesse sempre...
Ah! Quem me dera que o que há de mais
puro e bonito em mim, transbordasse então,
mas jamais morresse...
Quem me dera que assim fosse:
que o tanger dolente dos sinos das seis
durasse uma eternidade, pra que o
que eu sentisse não mais se acabasse...
Ah! Se pelo menos o que eu sentisse,
no eco triste dos sons ficasse,
se pelo menos a escuridão que logo envolve tudo,
o que eu sentisse não apagasse;
e o céu,
que o tanger dolente dos sinos das seis me trouxesse
ela não levasse...
Ah! Se tudo fosse assim.
Se pelo menos o tanger dolente dos sinos das seis
eu nunca escutasse,
ou se então a escuridão da noite nunca mais chegasse,
talvez não fosse tão ruim e tão bom assim.
Talvez eu nunca mais chorasse...
 
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