Flávio A. N. Sakoda



ÉPICO


Arbustos, ar puro e vida de roça, adeus.
Adeus alegria de correr nas campinas,
a buscar fantsias de menino criança,
isento de culpas...de tristeza inocente, adeus.
O presente:
aves rapinas de garras mortais
a pedir-nos desculpas das suas matanças.
Bailado de sons,
de odores infernais,
são mil,
mais que mil, é um milhão de indústrias
prá trazer-nos progresso
prá levar-nos à Lua
prá trazer-nos sucesso,
prá tirar-nos a paz...
Adeus, sim.
-adeus mundo lírico-
Mundo presente:
mundo confuso de artífícios
colegiais,
onde astronautas,
psicólogos,
sociólogos,
psiquiatras, pediatras e outros
mais,
se confundem em proposições sem iguais,
criando e matando,
e plantando concreto em lugar de palmeiras
e mudando cursos de rios à sua conveniência
e fazendo besteiras por pura inocência...adeus...
Adeus aos duendes, sacis e outros mais
a um canto jogados
pelo homem de hoje,
que os conserva guardados prá sua lembrança
em museus folcloristas
a atender saudosistas
que os querem demais...adeus.
Ah! Buliçosa lembrança que mexe comigo.
vai embora...
DEIXA QUE EU TAMBÉM ME CONSUMA E PARTICIPE DA ERA DO ESPAÇO.
deixa que eu também sufoque em mim o apêgo à poesia.
você é maléfica, saudade, porque é beleza, e é pura.
não serve prá mim.
Hoje são duplicatas,
ações,
são juros e letras de câmbio quem mandam.
Não tem mais seresteiros,
boemia é crime e poeta é perjuro,
se não é catedrático,
se não é diplomático...
Adeus natureza, adeus lirismo.
dá lugar à arte técnica,
aos artistas de canudo,
à fome do aço,
à supremacia do homem...
Adeus fadas, duendes ,
Lobato, Andersen e Disney...adeus...

setembro/1.969











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