OSCAR R.NETO



MENSAGEM PARA UM ALCOÓLATRA

Perdoa-me, PAI.
Mas é importante que leia o meu desabafo. Sempre que falei que quando crescesse, queria ser igual ao Senhor. Mas...infelizmente, eu mudei de idéia. não imagina o que sofremos quando anoitece e não vem para o jantar, pois só chega em casa de madrugada, isso mesmo, embriagado. Olhe, não me importo que chute meus brinquedos, jogue-os contra parede, bata raivosamente em mim, sem motivo quando lhe pergunto:Porquê o Senhor não para de beber?
Pai... não me envergonho de usar roupas velhas, sapatos furados e nem me incomodo com o pouco alimento que como. Na verdade, nada disso teria importância se o Senhor não bebesse. Por favor, não fique parado nos bares perdendo seu tempo, seu dinheiro e sobretudo, sua saúde, bebendo e farreando ao lado daqueles que dizem ser "seus amigos".
Lembre-se, nós precisamos do Senhor. Eu queria apenas tê-lo em casa todas as noites para poder dizer antes de deitar. "BENÇÃO PAI".
Sabe, Eu senti muita pena de vê-lo um dia desses, deitado na calçada.
Os garotos que passavam começaram a atirar-lhe pedras, seus cigarros espalhados pelo chão, seus bolsos revirados e lá estava uma garrafa de bebida quebrada a seus pés. Pedi para que não fizessem aquilo e eles me perguntaram: Você conhece esse cachaceiro?
Puxa, meu pai, tive vontade de dizer não, mas lembrei-me que certa vez o Senhor me disse: Filho o verdadeiro homem não diz mentiras
Então tomei coragem e respondi-lhes:
Sim, eu o conheço é meu "PAI". Eles riram e falaram:Se fossemos você, teríamos vergonha de chamar esse cachaceiro e bêbado de "PAI".
Baixei a cabeça, humilhado, Meus olhos se encheram de lágrimas e chorei como se nunca tivesse chorado na vida. Chorei o sentimento da dor e do amor.
Tentei erguê-lo. Pedi para que se levantasse. Enxuguei seu rosto suado pelo sol do meio dia. Contudo, meus esforços foram inúteis. O Senhor parecia não ouvir. Gemia, dizia palavras incompreensíveis e rolava de um lado para outro na calçada imunda.
Os garotos foram embora dizendo:Você está lidando com um pau d’água, sem vergonha. Deixe-o ai, pode ser que, ao tentar atravessar a rua, um caminhão passe por cima dele e o mate.
Pai..., foi muito duro ouvir aquilo. Eu senti como se o mundo inteiro desabasse sobre mim, mas, assim mesmo, quero que saiba de uma coisa:
"O voto que fiz de amá-lo, respeitá-lo e querer-lhe bem, hei de cumprir sempre, mas..., quando crescer, não quero ser igual ao Senhor"...


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