NEIDE BRITO



IMPEDIMENTO DE UMA FLOR


Sou flor que encroa
Que de botão não passa
Não se abre em flor
Para fluir em vida
Nem murchar ou secar
Ou deixar de viver.

Sou flor que o frio congela
Sou botão em véspera de flor
Que não se torna flor
Mas, que não morre
Sou flor de tempos quentes
Ainda um botão
Que também não se abre.

Sou botão de haste partida
Por corte ou por frio
Por haste partida
Ou pelo efeito do gelo
Sou botão, não-flor.

Enquanto não derrete o gelo
Enquanto não se reconstituir a haste
Sou apenas um projeto
De vida e de morte.











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