Edith Lobato



Andorinha e Bem-Te-Vi


Navegando em noite clara
Andorinha voa e pára
Tendo a lua, jóia rara
Por companheira solitária

E a brisa refrescante
Que por esmola atenuante
Dá carinho reconfortante
Depois de um dia fatigante

Mais um dia vencido
Foi encontrar com os amigos
Distantes e desconhecidos
Conversar sobre o dia ido

Mas na conversa não se fala
Digita-se e envia o pensamento na sala
E foi assim que aconteceu ao enviar o recado seu
Que a Andorinha ouviu um canto, mais bonito que o seu

De um Bem-Te-Vi livre e trigueiro
Que sorria o tempo inteiro
Alegre jovem e faceiro

Andorinha encantada respondeu a chamada
Mas com tantos agradecendo as palavras enviadas
Ficou por alguns momentos um tanto embaralhada
Mas voltou e conversou pela noite enluarada

Falaram de muitas coisas
Das paragens de onde vinham
Da solidão que sentiam
E dos afetos que nutriam

E à medida que conversavam
Um encanto foi surgindo
As horas se esvaindo
Na madrugada de domingo

Andorinha já sabia
Que o sentimento que ali nascia
Era forte e lhe fazia
Chorar de tanta alegria

Foi aí que começou
A história de um grande amor
Que brotou e enraizou
Num jardim cheio de flor

Flores que não se compra
Flores que se conquista
Flores que não podem ser vista
Apenas sentidas, vividas,
Na vida.....











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