Edith Lobato



TRAJETÓRIA


Ele nasceu menino, de corpo franzino
Teve tempo para tudo menos para brincar
Vai entender a natureza do homem
Que não aprendeu o dom de amar

Seu semblante fechado, parecia assustar
E ainda jovem foi à escola estudar
Mas é que o menino tinha um objetivo a alcançar
Ele queria ser gente para todos dominar

E na escola as leis ele decorou
E mais tarde, advogado ele se formou
Mas com o diploma na mão
O ofício nunca realizou

Sua intenção era outra, bem louca, queria comandar
E foi com essa presunção e cara de bom cidadão
Que foi eleito chefe de sua nação
Para o pesar e tristeza de muitos cidadãos

Seu esporte preferido era aos outros maltratar
E na terra que comandava ninguém podia cantar
Sua mente vivia maquinando guerras por todo lugar
Quis dominar o mundo pro seu ego aplacar

Muitos foram os atos de extrema barbaridade
Fez matança em grande número, sem dó e nem piedade
Gerou terror e pavor nos da sua própria cidade
Tudo feito com gotas de muita e muita maldade

Famílias inteiras foram mandadas para o deserto morar
Cumprir uma pena que eles nem podiam imaginar
E o oásis e frutos que havia foram retirados do lugar
Arte de uma mente fria que só queria se vingar

Depois de algum tempo passado
Voltaram ao solo sagrado
Marcados e mutilados
Pelos compassas do mesmo chefe de estado

Viver se tornou agonia
Já não podem dormir noite calma
O cérebro ainda vivencia
A dor e os tormentos na alma

Muitos que nasceram falantes
Hoje vivem mudos errantes
Outros perderam a orelha
Só porque olharam de esguelha

É preciso dizer que naquela nação
O povo vivia sob pressão
E a música da rádio do lugar
Eram sons de tiros no disco a tocar

Nas ruas ninguém podia livre andar
E o toque de recolher era coisa comum naquele lugar
Até o bebê de colo já sabia identificar
Os disparos anunciando que era hora de se trancar

Guerreou com o vizinho, por causa do ouro preto
Provocando morte, destruição e muito medo
E até a natureza foi vítima de sua pretensão
E os muitos pássaros morreram por intoxicação

E a terra tremeu quando o rio em fogo ardeu
Jorrando ouro negro e contaminando o solo seu
Resultado da arrogância e falta de amor à nação
De um homem sem Deus e sem coração

Mas o país foi invadido, atacado e bombardeado
E o chefe de estado viu seu trono ameaçado
No começo resistiu, mas aos poucos ele fugiu
Sorrateiramente que nenhum inimigo viu

O país foi tomado, preso os aliados
Acabou o reinado do chefe de estado
Do poder foi tirado, o país destroçado
Mortos ensangüentados espalhados para todo lado

A sua vida mudou e de seus bens nada levou,
Com certeza nisso ele nunca pensou
Prisioneiro de guerra fugitivo se tornou
Estão a procura só Deus sabe onde ele se entocou

O tempo passou e a procura continuou
Foi encontrado o fugitivo, a tv noticiou
Escondido num buraco esse tempo ele morou
Cabeludo e piolhento sem forças ele se entregou

Foi levado e examinado
Julgado e condenado
A morrer enforcado por genocídio praticado
Mas ele ainda disse que queria ser fuzilado

Agora é história, nada de glória
O sol já raiou e o dia chegou
O mundo inteiro seu nome falou
Porque no alçapão o seu corpo tombou
Fim do homem que um dia marcou
Com sangue
Lágrimas
E muito, muito rancor...











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