Gabriela Paris



Morbidez diária


Deita, levanta, anda, deita, levanta;
Corajosa enfrenta um dia de labuta,
Inútil é o trabalho árduo da aflita,

Sai quase desvalida, sem vida;
Branca e preta cor não tem,
A noitinha falecida
Volta quase que não vem;

Mórbida irreverente canta
Erra e anda sem conflito.
De que vale a vida de um aflito?

Rodeada de carcarás mal cheirosos.
Odor que também não importa
Se confunde com a própria

O erro na vida, um erro da vida:
- A coitada saberia?
- Só a morte poderia!
- Quem sabe a pouparia?

Mas é coisa que não sabe
Será a morbidez que a rodeia ?
Poderia arrancar a agonia ?!
De viver nessa melancolia!












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