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Bertugom
Gerações
Um grãozinho perdido eu achei
É um grão de feijão! Exclamei
Acho que ele deu sorte, eu falei
E o pequeno grãozinho, plantei.
Até que ele brotasse, o cuidei
O brotinho nascido, adorei
Vou fazê-lo feliz, eu pensei
E, com muito carinho, o reguei
Bom adubo na terra, eu lancei
Cada folha que veio, eu contei
Cada galho crescendo, ajeitei
És pequeno mas forte! Gritei
Com o arbusto viçoso eu vibrei
Vê-lo dançando ao vento, gostei
Ao surgirem as flores, chorei
De alegria ou ternura. Não sei
Então quis que parasse e ordenei:
Fique assinm como estás! Implorei.
És bonito e viçoso, já sei!
Foi pra isso que eu te criei
Mas a vida impõe frutos, bem sei
E os frutos, desfrutos.., saquei...
Não mais flores, só vagens , fitei
E o vigor lhe roubavam, maldei
Seus galhionhos murchando! (abaixei)
O seu verde sugando! (sentei)
Folhas secas do chão eu peguei
Estalando-as nas mãos, apertei
E, confesso, com raiva fiquei
E as vagens, então, arranquei
E, de encontro a uma pedra, as soquei
Machucando-me a mão, eu sangrei
Só então que, curioso, notei
Os grãozinhos saltando, eu olhei
Mas só vi que sumiram, jurei
Devem ter-se perdido, julguei
E, daquele lugar me afastei
Um sabor de vingança eu provei
Mas a triste vingança amarguei
Certas doces lições eu sonhei
No outro dia, no jardim, voltei
E por todo o lugar procurei
Com um pouco de sorte encontrei
E os grãozinhos perdidos... Plantei.

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