Bertugom



EPITÁFIO


Enterrem o corpo e não chorem por mim
Por mais que não queiram, a vida é assim
Um corpo sem vida é um punhado de pó,
Por mais que o enfeitem ou tratem com dó

Não merece culpa a desculpa da morte..,
Enfarte, embolia, câncer, concussão,
Desastre, velhice p’ros que têm mais sorte.
Há um fim de caminho.., o resto é ilusão.

Libertem minh’alma no astral, destemida
A choro ou tristeza não dêm guarida
Mantenham tranqüilo e sereno o olhar,
Derradeira homenagem a me felicitar.

Borboletas se afastam de inertes casulos
Porque ganham asas que as levam à amplidão
Do andar rastejante não levam saudades
Quando alçam seus vôos com satisfação

Agora mais leve.., livre do casulo,
Meu estado presente é o, de todos, futuro.
E quando pra vocês o futuro chegar,
Estarei bem tranqüilo e sereno, a esperar.












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