Bertugom



O CONDENADO


Passos largos, fronte erguida, pisando com decisão,
La se vai o condenado p´ro local da execução.

Da multidão ansiosa, gestos, gritos insanos,
Exclamações desairosas, sede de sangue humano.

Vítima de uma trama, num cenário bem forjado,
Concluído o julgamento, foi declarado culpado.

De nada vale gritar, mais uma vez.., que é inocente.
Nada mais pode mudar destino tão deprimente.

Diante do inexorável, de nada vale a razão...
Pseudo justiça humana! Cega, ou se faz, então...

Sabendo não ter escolha além de enfrentar a morte,
Revolta ou desespero só vai piorar-lhe a sorte.

Mas um sabor de vitória transborda-lhe o coração:
Para os enganos do mundo, triunfo, poder.., perdão.












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