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Cristiane Almeida Barroso
QUANDO TE OLHO, O QUE VEJO?
Se te olho e estas alegre, vejo um menino
quase criança, com um sorriso maroto
brincando com a vida, rindo de tudo
sem dar importância a nada e a ninguém
Podes tanto com esse sorriso que nem imaginas...
Se te olho e estas triste vejo um homem
seu olhar sinuoso, esse jeito meigo, dócil
como o de quem pede colo
A tentativa de um sorriso, a cabeça erguida
o olhar molhado, na sua boca a saliva seca
engasgada, a mordida no lábio
Quase te sinto só de te olhar...
Se te olho e estas zangado
Vira meio moleque, inibido, irritado
os dentes travados, seu olhar me fuzila
a raiva te faz sentir o melhor, o maior
teu orgulho sobe as bochechas que
ficam vermelhas, num suspiro intenso
e profundo, o bocejo vem logo em seguida
como se dissesse pra eu calar
Quanto mais raiva, mas se tranca dentro de si..
Agora, se te olho e queres me amar
Não sei bem teu olhar
Sei que me incandesce, incendeia, ilumina
me atravessa, me consome e vê tudo, sabe tudo
quer tudo.
consegue ser tão intenso que não necessita
uma só palavra, ele diz de uma só vez
a que veio, o que pode, e pode tudo
Quem me dera neste momento receber este olhar
Se torna tão seguro de si, tão poderoso
que me desafia a te ter.
como se quisesse me irritar, me conseguir
e ao mesmo tempo aparenta odiar por me querer tanto
Teu sorriso chega a ser cínico, matreiro, com um
toque frio, insensato
Mas o olhar de todo dia, esse olhar
O sorriso de sempre, de todas
esconde tanto dentro de ti
só te conhece quem te olha
lá no fundo, bem lá dentro
e quanto mais se conhece
mais se quer ver.
 
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