Laura Limeira
ANTIGO E VELHO COBERTOR
Velho é trapo, molambo de pano
Dormindo na rede, ou cama de lona
Velho é sempre velho
Não, não é não senhor!
Velho será sempre novo
Velho é renovação
Velho é sabedoria
Velho é contemplação!
Velho é trapo ou farrapo?!
Não sei...pois que seja
Trapo é que é velho
Mesmo assim eu te quero
Oh! Trapo de lã tão velho!
Velho trapo de abandono
Estica a tua história
Em passadeiras de pano
Enquanto estico os meus braços
Buscando alcançar você...
Você a me abraçar
Oh! Abraço de lã noturno
Trapo velho, surrado
Velho trapo tão humano
Vem, aquece meu frágil corpo
Nesse teu fio tecido do algodão
Velho trapo de cor encardida
Pano de trapo tão velho
No frio, envolvia-me em teus braços
Que a ti confiante abraçava
Entregando meu coração indigente
Trapo velho reluzente
Velho trapo de pano quente
Saudades dormentes de ti
Companheiro do inverno de infância
Ah, como hoje te preciso...
"Antigo e velho cobertor"!
Recife, 26.01.2002 - 04:45H
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