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ARTUR DA TÁVOLA
NO AMOR, ESCOLHER E SER ESCOLHIDO
Só quem é capaz da independência e passou pelo sofrimento necessário a tê-la aceita as inevitáveis dependências da vida, particularmente as do amor. Quem chegou ao amor por independência não considera como dependentes certos atos, na direção do ser amado, que em outro contexto seriam feitos com sacrifício.
No caso da mulher, habitualmente dependente porque esmagada econômica, social e psicologicamente, tais valores são ainda mais notórios e importantes. Só a mulher que enfrentou a barra da independência com toda a sua carga de sofrimentos, sustos, solidões e agressões consegue ser feliz nas dependências inevitáveis da vida e do amor. A verdadeira independência é a capacidade de escolher as dependências.
A independência é sempre penosa, machucante e difícil. Mas ela tem uma única e maravilhosa vantagem: dá o direito de escolher. Escolher a própria vida, os rumos a tomar, a ética, o lugar para morar, as roupas, os amigos e acima de tudo o amor.
Escolher o amor é encontrar e descobrir quem é para nós e não quem é ótima pessoa. Escolher é ter essa rara oportunidade de saber a hora do amor, ainda que pareça tarde. Escolher é exercer a independência, em nome da qual serão aceitas todas as dependências aderentes às relações.
A mulher que chegou à dependência natural por ter vindo da independência sofrida, está para o amor como uma flor que se abre ao amadurecimento porque está inteira na sua escolha e é total na direção de seu destino.
O amor não pode ser um exercício de poder e de dominação. Por isso só floresce onde há a presença sem disfarces do ser verdadeiro.
O amor só floresce quando se pode escolher e ser escolhido num só e misterioso ato que não se explica nem conceitua, mas é claríssimo nas raras vezes em que se torna evidente.
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