Aline Ecker da Silva



Notas arranhadas em um velho violão


estômago embrulhado
coração apertado
às vezes bate descompassado
como notas arranhadas em um velho violão

medo de que o coração vire pedra
vazio imenso, maior que o oceano
a lua acalenta meus devaneios
estou só

o peso da solidão me faz suspirar
gostaria de encontrar um meio de fugir
a lembrança vem e vai
como chuva de verão
ainda invento outra canção para espantar a solidão

desatino
se tivesse coragem acabava com tudo
a raiva machuca
tento puni-lo
escapa entre meus dedos

me sinto só
mas o caminho do inferno é trilhado sozinho
é como construir um castelo de areia e ver ele ser destruído pelo mar
ou pôr pés que não sabem onde pisar
a raiva é o pior dos sentimentos

ela vai embora e
a tristeza é tão grande que chega a dar um nó
de repente sobra apenas o veludo negro da noite
negro como seus olhos
e amanhã é outro dia











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