Josélia A. Pinheiro



MAL DO SÉCULO


Tudo se findou
Fé, amor, dignidade, esperança...
Se os sonhos se foram o resta?
A não ser seguir impassível
cada passo desta reta.
E a morbidez que me sucumbe
não se vê na aparência
Simplesmente na mordaça
que sufoca essa doença.
Alma decrépita em matéria fugaz
Força concreta em mente incapaz
Vida incompleta “pensamento sagaz”
E com a força nata de sobreviver
o pensamento retrai.
E na ânsia de viver o intenso
o inesperado já não satisfaz
E o nobre sentimento a cada
dia se torna fugaz.
Renascer, esperança
pra quem busca providência Divina.
A mente deseja mas o corpo definha.
E o invisível se transforma em dor humana
insustentável o corpo, mente insânia
e todo dia transformação desumana.
Num turbilhão de sentimentos contraditórios
a mente vai se afogando
Fé, força, fraqueza, dor
num breu vão se misturando.
Perguntas sem respostas
e respostas ao vento
Vazio contido na alma
desejo sem fundamento.
Vazio, moléstia, demência ou solidão?
Qual seria a expressão pra definir
esta precária condição?
Nenhuma forma específica
ainda foi determinada correta
nem por homens e nem por Deus
deram-me resposta concreta.
Mesmo sem saber onde vou chegar e se vou chegar
sigo vestígios de nobres sentimentos
que ainda guardo nas lembranças de outrora
Chegará-se ou não...
Saberá-se ou não...
Vencerá-se ou não...
Sobreviverá-se ou não...
São respostas que só com o tempo se revelarão...











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