Sandro Baraldi



Um olhar


Aquilo não era olhar de cansaço,
como havia afirmado,
nem de tristeza,
aquele olhar,
perdido no espaço e no tempo,
parecia procurar algo que acabara,
como a água que escorre da mão.

Um olhar sem alegria,
de quem não sabe a beleza,
de viver a alegria,
depois de uma grande ilusão.

Mas no fundo sabia,
que esta dureza,
dor momentânea do ser passaria,
e logo riria por uma nova emoção.

Ela não sabia se já deveria,
se entregar com alegria,
a tão louca magia de uma nova paixão,
pois a dor que sentia,
lhe deixava vazia,
pois em seu peito dizia ao mesmo tempo sim e não.

Aquele olhar assustado
com a liberdade repentina,
que de repente caíra com tudo em suas mãos.

Saudade misturada com o desejo do novo,
gosto que nunca sentira,
ou se esquecera do dia,
que ouve-se sentido tamanha emoção,
sentir a dor do presente
agora já ausente,
saber que o futuro imediato
já seria passado,
saber que o plenejado
já não mais viria
não existe perdão.












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