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KÁTHIA WANDERLEY
Procura
Se procuro algo perdido na minha imaginação, me perco imaginando o que estou procurando.
Tento voltar atrás, lembrar do ponto de partida antes da minha tresloucada procura.
Não sei mais onde estou andando, ou se estou apenas pensando, pois se penso não ando.
Quem sabe paro de pensar, e fico apenas voando, me perdendo no brilho do espaço, contando os pontinhos brilhantes que se perdem no infinito.
Seria bem melhor, o mundo seria todo meu, cataria todos os pontinhos, colocaria dentro da minha cabeça e faria meu mundo mais bonito.
Mesmo que pouco, que muito ou que perdido.
Voltaria para minha imaginação.
Viveria cada minuto da minha procura.
Procura pelo belo, pelo singelo. Amarelo, verde ou vermelho, sei lá, agora pouco importa a cor da minha imaginação.
Importa apenas que ando com loucura, atrás desta interminável procura, que faz pulsar o meu coração.
Quem sou eu, pra decifrar meus sentidos, perdidos no espaço dos gemidos sem nunca controlar minha emoção.
Viver é voar sem razão!
É se perder nas estrelas, sem contar o tempo, sentindo apenas o vento que liberta as algemas das nossas mãos.
Meras algemas imaginárias, surgidas das galáxias interplanetárias, vindo direto para o mundo sem razão.
Me confundem os cometas que passam rasantes..
Sou eu ou eles que param neste instante, querendo estacionar minha vida errante, dominar o semáforo que me liberta, que me para e que me amarela para o mundo?
Vôo para onde quiser, pouco importa o astro que vier, porque se estou perdida neste espaço, é meu mundo que prendo com um laço e enfeito com os brilhos que tiver.
E quem quiser me criticar, que venha para o meu espaço errante, conte meus pingos brilhantes e me dê a conta para pagar!
Sou eu quem pago a minha vida, sou eu quem abasteço a ilusão do meu espaço, alimento minha boca ávida por comida, e desinfeto eu mesma a chaga da minha ferida, para nada doer na vontade do meu abraço.
Brilho sozinha neste espaço infinito, estou sempre voando para um lugar bonito, levanto vôo onde o tempo não pode me sustentar!
E saio voando, bato as asas para a liberdade e o meu verdadeiro desabafo, nasce do ainda conseguir cantar!
 
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