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Jonny Fremann
Momentos
Quanto pode caber de mistério um cantinho de olho
que contempla o horizonte num olhar sem rumo,
ao léu que busca no céu a explicação para o tudo que não se vive
que quer viver, mas não se vive, pela escolha incerta...
Quanto pode caber de sorriso, num cantinho de lábios,
que pela angústia do momento faz-se febril,
fazendo-se espera do beijo apaixonado, trans lúcido, inteiro!
Que quer fazer eterno, um único momento de amor!
Quanto pode caber de paixão, um cantinho de coração,
que repleto do desejo insano, faz-se querência do ter mais!
Que ilude a esperança numa fantasia lúdica,
suave melodia que quer sofrer pelo amor do segundo,
na metamorfose do tempo!
Quanto pode sofrer a alma do artista que espera a musa,
que repleto de sonhos e de ilusões parte em sua procura;
que incansável faz dos seus versos trombetas
que anunciam que quer ser feliz eternamente,
mesmo que seja num só instante.
Quanto pode morrer e renascer este amor louco, insano!
Que renuncia a tudo e a todos e se contorce dentro do templo,
que como um plasma per corre todos os cantos do corpo,
que acomoda-se no nada e manifesta-se no tudo, no poema!
Quanto pode ainda esperar a lua, que eternamente faz-se presente,
testemunhando o ardor dos olhos do artista
que a encarou na noite para poder ver à distância sua musa.
Que fez-se consolo e permitiu-se amar como um totem idílico!
 
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